| Entrevista com Mauro
Fernandes
Por Ricardo Matheus
Quem vê das arquibancadas o comandante do Gamão
com a expressão fechada, agitando os braços
e dando broncas no time, certamente forma uma imagem de
um homem duro, sisudo, fechado e porque não dizer
“carrancudo”. Mas sua verdadeira face não
e bem esta, Mauro Fernandes este mineiro de Sete Lagoas
está sempre de bom humor, de um profissionalismo
invejável sabe diferenciar muito bem trabalho de
brincadeiras, é sério quando trabalha, mas
extremamente educado, e muito brincalhão nas horas
vagas. Tem um carinho especial para com os jogadores, que
trata com filhos, e está sempre com um sorriso nos
lábios e pronto a atender com presteza a imprensa.
O GAMAGOL esteve conversando com ele e trás para
vocês um pouco do que ele pretende fazer à
frente do nosso Gamão.
Gamagol– Mauro este ano o Gama amargou a pior
campanha dos últimos anos no candangão, e
agora está na temível zona de rebaixamento
da segundona, como você vê este momento?
Mauro- Como um momento de transformação,
o Gama disputou o campeonato local com uma equipe e hoje
tem uma equipe totalmente modificada, montou um time em
cima da hora para disputar a série ‘’B
“,que é uma competição muito
difícil e por isso no começo da competição
se paga um preço, este preço está se
pagando até o presente momento, mas esperamos já
no jogo com o Bahia sair desta situação incomoda
e já entrar na zona de classificação”.
Gamagol- Alguns jogadores contratados
são conhecidos da torcida, como os que disputaram
o certame local, como o Jhones o Luis Henrique e o Lucas,
ou os que estão retornando, caso do goleiro Alencar,
mas a maioria é desconhecida da torcida,após
este período de treinamentos o que você pode
falar sobre eles?
Mauro- É muito difícil você
estar destacando um jogador ou outro, o que eu quero mais
para o Gama é que o conjunto possa se destacar, cada
jogador está procurando se empenhar o máximo
nos trabalhos para que eles possam produzir aquilo que eles
podem produzir para a equipe do Gama.
Gamagol- Na sua opinião como deve ser o perfil
de uma equipe para obter sucesso na segundona?
Mauro- Uma equipe aguerrida, uma equipe
que saiba jogar uma disputa como é a série
“B”, que é uma disputa muito difícil,
eu já tenho disputado a série “B”
nos últimos anos, estou indo para o quarto ano consecutivo
e graças a Deus tenho obtido sucesso e espero que
no gama não seja diferente.
Gamagol- Como você quer o
time?
Mauro- Quero uma equipe de marcação
forte e de muita disposição dentro de campo,
e acima de tudo uma equipe que saiba jogar como esta competição
exige, que é uma equipe de toques rápidos,
de muita velocidade e marcação, mas acima
de tudo uma equipe que tenha o objetivo da vitória.
Gamagol- A segunda divisão tem crescido uma
enormidade nos últimos tempos, tanto em qualidade
como também em competitividade, e esta edição
certamente estará ainda mais competitiva, dá
pra pensar em título?
Mauro- Todos os 22 times que iniciaram
a competição só tem um objetivo, que
é chegar à primeira divisão e sabemos
que só dois vão chegar lá, e nós
estamos brigando para estar entre estes dois clubes que
vão chegar à primeira divisão.
Gamagol- Como se trata de uma competição
longa e por isso exaustiva, você concorda que é
necessário ter um elenco forte, equilibrado e que
proporcione variantes táticas?
Mauro- Esta é a principal arma para
um time chegar a primeira divisão, ter uma equipe
com jogadores que possa substituir a altura, uma equipe
equilibrada dentro de campo e acima de tudo jogadores do
mesmo nível e que sejam de 25 a 28 jogadores, aí
você vai ter sucesso.
Gamagol- O atual elenco do Gama possui estas qualidades?
Mauro- É um time em formação,
alguns jogadores ainda não atingiram aquilo que esperamos,
mas agente sabe que num espaço curto, até
pelo trabalho que está sendo desenvolvido, a equipe
vai chegar dentro de um patamar que possa dar confiança
a sua torcida, e será uma equipe que o torcedor poderá
dizer “hoje vou a campo para ver uma vitória
do meu time”.
Gamagol- Já virou rotina
no futebol Brasileiro a falta de uma pré temporada,
no caso do Gama as coisas estão ainda mais complicadas,
foram feitas 19 contratações e apenas dois
treinos antes da estréia numa competição
extremamente equilibrada e competitiva, ter que montar um
time sob a necessidade de obter resultados atrapalha?
Mauro- Atrapalha e muito pois recai tudo
em cima do treinador, e o treinador não tem uma varinha
mágica para que possa fazer com que uma equipe tenha
entrosamento dentro de uma semana, ainda mais com jogos
consecutivos como nós estamos tendo agora, fazer
com que esta equipe venha a ganhar entrosamento, a pré
temporada é fundamental no futebol principalmente
para uma equipe que contrata muitos jogadores que são
desconhecidos um do outro e às vezes nunca jogaram
nem contra, e isto dificulta bastante e nós estamos
pagando um preço bem caro por isso, por não
ter tido tempo para preparar a equipe numa pré temporada
nem fazer treinamentos adequados para tal competição.
Gamagol- Você havia traçado
um planejamento que era conquistar 09 pontos em cada 15
disputados, o time disputou 12 e só conseguiu 4 como
espera recuperar os pontos perdidos?
Mauro- Nós havíamos estipulado
conseguir nove pontos em cada quinze pois assim nós
alcançaríamos 37, 38 ou até 39 pontos
na vigésima partida e aí estaríamos
entre os quatro melhores colocados, então nossa meta
foi estabelecida dentro disto, e nós esperamos recuperar
porque esta e uma fase talvez das mais difícieis
para o Gama porque é uma fase de um time em formação
que joga três partidas fora contra Anapolina, Caxias
e Bahia e apenas com dois jogos dentro de casa, esta dificuldade
nós encontramos nos primeiros cinco jogos e esperamos
recuperar nos outros.
Gamagol- Você tem disputado
a segundona por times diferentes nos últimos anos,
quais foram estas equipes e qual foi o desempenho delas
sob seu comando?
Mauro- Em 2002 eu cheguei ao América
Mineiro e classificamos entre os oito, e até então
a formula do campeonato não era como hoje ou seja
um quadrangular, e sim um mata-mata, e perdemos para o Fortaleza
que acabou se tornando campeão. Em 2003 eu disputei
com o Londrina onde nós fizemos 34 pontos e ficamos
a apenas um ponto do último classificado que foi
Marília com 35 pontos. Em dois 2004 eu iniciei com
o Brasiliense e a frente do Jacaré eu tive 40 jogos
e perdemos apenas 3, e a equipe que foi formada por mim
chegou ao título, posteriormente fui para o Fortaleza
e classificamos para o quadrangular e esta equipe foi à
vice-campeã, então graças a Deus estou
tendo sucesso nesta série “B” e agora
disputando pelo Gama espero que não seja diferente.
Gamagol- De que modo estas experiências
anteriores podem beneficiar o seu trabalho a frente do Gama?
Mauro- É uma competição
que já conheço, sei as dificuldades que tem,
os jogadores tem que colocar na cabeça que o Gama
já não é mais um time de primeira divisão,
que disputa a série “B” do campeonato
Brasileiro e que tem que jogar como tal, às vezes
o torcedor não gosta de ver uma equipe que marca
muito, não tem um toque bonito, que não dá
espetáculo, mas a segundona não permite isto,
o exemplo são Botafogo e Palmeiras que disputaram
a série “B” de 2003 e nas primeiras quatro
rodadas o Botafogo tinha feito um ponto e o Palmeiras apenas
dois, porque estavam jogando achando que ainda eram times
da série “A”, e quando eles colocaram
na cabeça que estavam disputando a série “B”
subiram, o mesmo vem acontecendo com o Grêmio, que
ainda acha que é um time de série “A”,
e na verdade ele é um time de série “B”.
Gamagol- O que o torcedor pode
esperar do seu trabalho no Gama?
Mauro- Dedicação, o que sempre
fiz em todos os times que trabalhei , sempre fiz bons trabalhos
e espero que no Gama não seja diferente.
Gamagol- O Gama tem uma torcida apaixonada e bastante
exigente, qual o recado que você mandaria para o torcedor?
Mauro- Que ele venha torcer, que exija,
mas acima de tudo que ele tenha disciplina para não
prejudicar o Gama como esta sendo prejudicado agora, nós
vamos jogar a próxima partida com o mando de campo
longe do torcedor, por irresponsabilidade de um nós
vamos jogar com os portões fechados, e o torcedor
faz muita falta porque o jogador sente o calor da torcida
em campo e jogar com o estádio vazio tenho certeza
que vai prejudicar bastante o time da casa.
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